quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Reflexo distorcido do Passado

 Já nada hoje é como antigamente. As flores nas varandas, nas casacas dos grandes senhores, a grande euforia de companheirismo pelas ruas, a cortesia perante as senhoras. Hoje as flores ainda são uma abundância, mas não numa cidade movimentada e stressada. As flores nas casacas dos homens tornaram-se em acessórios de moda, os grandes vestidos rodados  e de luxo das senhoras transformaram-se na nossa tão conhecida mini-saia, o calção e top e os vestidinhos curtos de linho. A euforia pelas ruas continua, os abraços e sorrisos de saudação permanecem, mas nos nossos dias a sociedade acusa-se de provocar a tão vulgar poluição sonora, pouco ou nenhum respeito pelos outros, falta de civismo... mas afinal, a felicidade terá de ser assim tão severamente recusada?
 Não, é a resposta. Os abusos acontecem, as pessoas excedem-se, os erros cometem-se, as desculpas pedem-se e os desacatos pagam-se caro. Visões constrangedoras mas o Mundo está assim.
 Mais uma vez sabes que me sento no meu recanto e desta vez debruço-me sobre um interesante livro que me conta a história de uma sociedade antepassada. Com todos os conhecimentos, origens, reflexos, momentos de transe e soberania, um piscar de olhos fulminante acorda-me de um sonho leve e desvanecido perdido na minha mente. E realmente nada é como antigamente. Aliás até é, mas um reflexo distorcido do que foi o passado. Não me orgulho nem me desiludo com tudo o que é de hoje apenas o acho diferente. Continua a ser a nossa casa, o nosso mundo, nada mais do que isso. E se houve mudanças, e essas aconteceram, os únicos responsáveis somos nós, seres complexos de uma sociedade muda e extrema em constante mudança.

sábado, 14 de agosto de 2010

The best.

"Esquece o mundo e os outros, abstrai-te de tudo, lembra-te de ti e de mim, relembra tudo como um só". Esquece tudo o que te rodeia, centra-te em ti, lembra-te de ti como sempre foste e lembra-te de mim como me conheceste, relembra como tudo começou, se mantém e ainda continua, relembra-nos como um só ser de corpo e alma. Lembra-te de cada palavra, cada sorriso, cada riso, o significado de cada acção partilhada. Uma amizade construída e criada, mais forte do que tudo o resto, e tão simples como tanta outra coisa. E por mais que não relembres sempre, por mais vezes que o digamos ou façamos, nunca te esqueças de uma coisa: eu amo-te.

Semelhanças

Senta-te e olha à tua volta, diz-me o que vês. Lá fora uma cidade atarefada, cheia de stress, poluição e coisas mesquinhas. Um pouco mais ao lado, uma clareia rica numa vida sã e num sentimento de alegria e conspiração saudável únicos. Do outro lado o mar, aquela imensidão de água de uma pureza e limpidez resplandecentes.
Então e dentro de ti? De mim? De todos estes seres tão aparentemente semelhantes? Descansa, não é nada mais do que um pouco do reflexo de tudo o que vês. O tormento no teu interior, o stress do teu dia-a-dia, aquelas chatices e os mexericos que só servem para aborrecer, é poluição certa para a tua paz e “encher o saco”.
Aqueles momentos em que te aconchegas no recanto que mais gostas da tua casa, enquanto fazes algo que realmente gostas, onde elevas os teus pensamentos e desejos aos lugares mais imprevisíveis, onde te soltas e te sentes verdadeiramente livre, onde te assemelhas a um pequeno animal curioso e aventureiro numa nova casa onde se sente realmente feliz e consolado. E o mar, esse. Aquela grande corrente de sentimentos e desejos fugazes que te percorre incansavelmente e te faz saciar por mais.
Olha o exterior, observa o teu interior. Descobre que afinal não és assim tão diferente do mundo onde cresces, apenas és de aspecto modificado e cresces único. Afinal és filho da Terra Mãe, todos nós somos fruto dela.

Caminhando, vivendo

Enquanto espero, sento-me, sintonizo todos os sentidos e sinto a vida passar por mim como uma brisa leve e fresca numa tarde de verão. Sinto cada essência fazendo parte de mim, cada pessoa tocar-me docemente. Fecho os olhos e numa fracção de segundos vejo toda uma vida. Um bebé chorando quando chegado ao mundo, os primeiros passos de uma criança, as primeira palavras, as birras. Um adolescente com os seus típicos problemas e por fim a projecção de uma vida longa e fértil.
Sinto cada bocadinho de mim soltar-se e pairar por aí, deixando um pouco de mim aos outros e trazendo algo de especiais até mim. Porque afinal é isso que fazemos durante toda a nossa vida, desde que damos o primeiro grito e olhamos o mundo com uma enorme curiosidade até sentirmos que é a última vez que veremos o mundo que tanto nos deu e onde muito deixámos. Damos muito de nós em miúdos, damos alegrias, motivos de sorriso, muitos problemas e confusões, mas ainda assim somos uma dádiva. Em adolescentes somos aquela “peste rebelde” de que toda a gente fala, mas nós só nos queremos impor, porque mais tarde seremos seres livres e independentes e teremos que ser uns peritos nesta prática. Brinquedos, mimos, carinho, amigos, o primeiro amor, o primeiro beijo, as experiências, sofrimento, compaixão, o sonho de eternidade, a dura realidade. Tudo faz parte, fazendo rir ou chorar, caminhar cabisbaixo ou rir como um louco, gritando ao mundo tudo o que sentes, é isso que te constrói, faz crescer e edifica. Afirmar-te como um ser só, único.
Quando tudo não passa de ser novamente um ecrã negro, abro os olhos, respiro fundo e dou por mim com um sorriso nos lábios. Sinto-me livre e, afinal, por mais longa que tenha sido a viagem, por mais curvas que tenha tido o caminho nada me impede de voltar às minhas origens, reviver tudo o que já fez parte de mim, relembrar-me de tudo o que ainda há em mim e que ficará até o meu para sempre acabar.
Desperto e continuo esperando. Do quê não sei, mas caminharei até descobrir e até ao infinito irei.

Vivências

Solto o baralho, espalho as cartas e vivo o jogo. Cada carta a peça de um puzzle, o baralho o seu todo e o jogo a dificuldade que encontro para completar este tão misterioso e desejado puzzle, a vitória de um jogo. Cada momento uma peça, cada bocadinho consistente e firme um sentimento, uma vivência e o seu todo. Mais do que tudo, são minutos, horas, dias, anos perdidos na Terra seguros na vida. São minutos de sofrimento, alegria e compaixão. Sozinha a um canto, sorrindo ou chorando; no centro de todos, alegre cantando. Tudo tão característico, tudo tão único mas banal daquilo que dizemos ser a vida.
A pouco e pouco a infância passa e os bocadinhos sólidos começam a fazer-se notar. O meu corpo cresce, a minha mente desenvolve-se e crio, tudo e tão pouco aquilo que sempre idealizei. Faço de tudo para manter os que mais amo junto de mim e concretizada ou não, vou vivendo.
Cada tarde sentada junto do mar, ouvindo as ondas tocar as rochas e estenderem-se na areia. Os momentos correndo no jardim, acompanhada de um dócil cão, queimando alguns minutos de uma sentida vida. As horas passadas sentada no chão junto à lareira, nas noites frias onde a única coisa que me distancia do exterior são alguns centímetros de parede. Tudo isto faz parte de mim. De mim e de todos os que vivem perto de mim. Aqueles que dão a vida por algo mais, por alguém.
Tudo isto e todos estes me fazem crescer, aproveitar cada segundo que me pertence euforicamente, como se fosse o último. E não sei se não será. Vou aprendendo a sentir, a amar e a querer ser amada. Pela primeira vez profiro a palavra “amo-te” e sinto todos os sentimentos explodindo dentro de mim, a transparência do meu olhar e a bondade do meu sorriso mostrando o quanto este “amo-te” é realmente verdadeiro. Encontro aquele alguém, dou-lhe a mão e sento-me lado a lado com a ideia de eternidade. E porque não? Nada é impossível, tudo pode ser improvável, mas quando queremos acontece.
Vou vivendo, aproveitando e crescendo. Vou aprendendo a dizer “sim” e “não” e o quanto é importante fazê-lo. Cometo uma, duas, três vezes o mesmo erro, mas acredita que com ele vou aprender. Aprendemos com a vida e nem sabemos o quando. Nem imaginamos.
Mais uma vez me sento junto de quem mais amo e sou feliz. Mais uma vez me aconchego na areia, perto do mar, escrevo algumas palavras e deixo uma mensagem na areia que o mar há-de levar. Mais uma vez revivo todos e mais alguns dos meus momentos nesta minha tão tenra vida. Sim, porque até ao fim, eu estarei aqui, junto a ti, perto do longe, dona do que não me pertence, criança do mundo que não é meu.