sábado, 14 de agosto de 2010

Caminhando, vivendo

Enquanto espero, sento-me, sintonizo todos os sentidos e sinto a vida passar por mim como uma brisa leve e fresca numa tarde de verão. Sinto cada essência fazendo parte de mim, cada pessoa tocar-me docemente. Fecho os olhos e numa fracção de segundos vejo toda uma vida. Um bebé chorando quando chegado ao mundo, os primeiros passos de uma criança, as primeira palavras, as birras. Um adolescente com os seus típicos problemas e por fim a projecção de uma vida longa e fértil.
Sinto cada bocadinho de mim soltar-se e pairar por aí, deixando um pouco de mim aos outros e trazendo algo de especiais até mim. Porque afinal é isso que fazemos durante toda a nossa vida, desde que damos o primeiro grito e olhamos o mundo com uma enorme curiosidade até sentirmos que é a última vez que veremos o mundo que tanto nos deu e onde muito deixámos. Damos muito de nós em miúdos, damos alegrias, motivos de sorriso, muitos problemas e confusões, mas ainda assim somos uma dádiva. Em adolescentes somos aquela “peste rebelde” de que toda a gente fala, mas nós só nos queremos impor, porque mais tarde seremos seres livres e independentes e teremos que ser uns peritos nesta prática. Brinquedos, mimos, carinho, amigos, o primeiro amor, o primeiro beijo, as experiências, sofrimento, compaixão, o sonho de eternidade, a dura realidade. Tudo faz parte, fazendo rir ou chorar, caminhar cabisbaixo ou rir como um louco, gritando ao mundo tudo o que sentes, é isso que te constrói, faz crescer e edifica. Afirmar-te como um ser só, único.
Quando tudo não passa de ser novamente um ecrã negro, abro os olhos, respiro fundo e dou por mim com um sorriso nos lábios. Sinto-me livre e, afinal, por mais longa que tenha sido a viagem, por mais curvas que tenha tido o caminho nada me impede de voltar às minhas origens, reviver tudo o que já fez parte de mim, relembrar-me de tudo o que ainda há em mim e que ficará até o meu para sempre acabar.
Desperto e continuo esperando. Do quê não sei, mas caminharei até descobrir e até ao infinito irei.

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